sábado, 19 de novembro de 2011

SOPON E A PRIMEIRA EUCARISTIA

A minha 1.º Comunhão

Este simples testemunho vem do outro lado do mundo, do Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo e onde trabalham padres do PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores). O menino Sopon nos conta como foi a sua Primeira Comunhão.

A VIAGEM

Na noite de sexta-feira para sábado choveu por quase três horas. Mas o meu pensamento estava no domingo, 19 de outubro. Pensava: “Se chover, será um problema ir até o Santuário de Nossa Senhora do Rosário”.

Perguntava-me: Que idéia era essa do Pe. Adolfo de ir até o Santuário para realizarmos a Primeira Comunhão, o nosso primeiro encontro com o amigo Jesus, como ele sempre costumava dizer. Tudo bem. Papai e mamãe irão comigo. Só espero que não chova!

Chegou o domingo: nada de chuva!!! Uma aurora com um céu claro faz prever um dia muito bonito. Às 5 h já estava de pé. Precisava apressar-me, pois às 6 h partiríamos para o Santuário. Finalmente, às 6 h subimos na riksio (uma espécie de carroça puxada por homens), alugada por meu pai, e começamos a viagem em direção a Jesus.

Pela estrada encontramos outros companheiros que tanbém viajavam com seus pais. Um grupinho de pessoas estava indo a pé, rezando o rosário.

Antes das sete, com um sol maravilhoso, chegamos ao Santuário. Os nossos catequistas já estavam nos acolhendo no portão.

Às 7:30h o sino do Santuário deu o sinal para iniciar a liturgia. O Pe. Rafael e os jovens do vilarejo abrem o nosso cortejo com música enquanto seis meninas nos precedem dançando até o ingresso da igreja. Ao ritmo da música espalham pétalas de flores em nosso caminho. Sinto-me importante, pois este rito é reservado a personagens ilustres que visitam o nosso vilarejo.

Jesus me faz importante ou sou eu que sou importante para Jesus?

BEM-VINDO

Na porta do santuário seis coroinhas, juntamente com o Pe. Adolfo e o Pe. Marcus, estavam nos esperando. Entramos na igreja enquanto todos cantavam.

A igreja estava cheia de pais e muitos cristãos que vieram dos vilarejos vizinhos. O nosso lugar era bem na frente do altar. Éramos 55 crianças, algumas órfãs. Entre nós havia três jovens que também receberão a Primeira Comunhão.

A liturgia dura uma hora e meia, mas, para mim, parece muito breve. Teria gostado que não tivesse terminado. A mim foi dada a missão de levar até o altar o livro do evangelho antes de sua proclamação. Duas meninas, uma com flores e a outra com incenso, estavam ao meu lado. Eu mesmo li a primeira leitura do livro do Profeta Isaías. Que bonito proclamar: “Estas são palavras de Deus”! Senti-me importante e muito emocionado.

A homilia do Pe. Marcus foi um diálogo. Ele nos apresentou os deveres que derivam da Comunhão com Jesus: responsabilidade, sermos portadores da verdade, da justiça e da paz. Sermos verdadeiros, justos, construtores de paz. Quanto mais eu penso, mais me convenço que tudo isso é muito bonito... porém não é fácil! O que farei? Como?

Após receber a Eucaristia, recolhi-me para falar com Jesus. Havia tantas coisas para pedir, tantas coisas para dizer, tantas dificuldades para apresentar-lhe, mas Ele me fez permanecer calado e, no silêncio, compreendi o seu amor, a sua doação, e não soube dizer muito. Mas era melhor permanecer assim mesmo, no silêncio.

UM GRANDE DOM

Após a oração final, Pe. Adolfo nos deu uma bênção e nos entregou as lembranças: uma folha com o nosso nome, um rosário, uma cruz e uma imagem.

Do lado de fora do santuário os jovens da paróquia estavam prontos para servir o café da manhã que a Ir. Agostina havia preparado para 500 pessoas. Todos recebemos um saquinho com uma banana, um pãozinho e um doce. Ainda bem que a Ir. Agostina, vendendo as toalhas que faz em seu centro de corte e costura, pôde nos dar este presente.

Obrigado Jesus por este grande dom, a Eucaristia, e também a vocês que tiveram a paciência de ler esta minha cartinha.

Sopon (10 anos)


Nenhum comentário: